quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Tetelestai II

No meu último texto "Tetelestai" eu falava sobre a necessidade dos cristãos entenderem que o único meio de sermos agradáveis a Deus é através da fé em Jesus Cristo. Nesse, no entanto, eu quero complementar o texto anterior, explicando que a fé verdadeira é operosa, e não uma fé morta.

Deus deixou características na fé verdadeira, para que saibamos diferenciar da falsa. Tiago, o irmão do Senhor, diz que a verdadeira fé é operosa, e não uma fé morta (cf. Tiago cap. 2). Qualquer um pode abrir a boca e dizer que tem fé, isso é muito fácil, mas somente a fé operosa é caracterizada como sendo verdadeira.

E como é que se é evidenciada essa operosidade? Paulo é categórico em afirmar que “a fé atua pelo amor” (cf. Gl 5.6b). E isso corrobora com o que Tiago explica no capítulo 2 de sua epístola.

As pessoas não gostam muito de falar em amor e preferem dar um “pacote” de coisas as quais os outros devem fazer para andar conforme Jesus. Isso é triste porque acaba se transformando em um “temor que consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprenderam” (cf. Is 29.13).

Às vezes acontece pior, porque esse “pacote” pode vir cheio de fermento dos fariseus (cf. Mt 16.6). Assim como o fermento incha o trigo, os fariseus inchavam aquilo que Deus ordenava, dando mandamentos a mais que eram apenas invenções de homens. É aquilo que não está escrito, mas que para eles são bons princípios. Mas, como disse Paulo: “Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.” (Col 2.23).

Eu, todavia, prefiro ensinar conforme a Palavra, que diz: “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte.” (1 João 3.14). Esse versículo coloca em cheque a suposta fé de muitos figurões religiosos que estão por aí, pois ele mostra que a verdadeira marca do salvo é o amor!

E por que Jesus e os apóstolos falavam tanto em amor? Ora, porque dele se ramificavam todos os outros mandamentos. Quem ama seu próximo não mata; quem ama sua esposa não adultera; quem ama não furta, não diz falso testemunho; quem ama os pais irá sempre honra-los... e assim por diante! Sabendo sempre que quando pecamos é porque em algum momento deixamos de amar como deveríamos.

Ora, Deus não é um ditador malvado que quer que façamos coisas sem motivo algum. Ele quer que façamos para o nosso bem, e para o bem do próximo. Todo e qualquer mandamento que você imaginar tem essa finalidade.

O amor também relativiza qualquer lei. Jesus muitas vezes curou no sábado – mesmo que este ainda estava em vigor naquela época. Isso porque, conforme ele mesmo disse, a Lei e os Profetas dependem do amor (cf. Mt 22.40). Jesus não quebrou o sábado, como muitos afirmam. Jesus simplesmente sabia que o amor sobrepujava a Lei, por isso fazia as curas (cf. Mt 12.12). Afinal, as leis são criadas por causa do homem, e não o homem por causa das leis. Assim percebemos que a lei não deve ser cumprida quando gera morte. Foi por isso que Davi comeu os pães da proposição, que não lhes era lícito comer. Ele tinha duas opções: ou morria de fome e cumpria a Lei, ou entendia que em favor da vida poderia desobedece-la. Ele escolheu em favor da vida e acertou, ao ponto de o próprio Senhor usar sua atitude como exemplo (cf. Mt 12.1-5).

Se eu pudesse resumir tudo em uma frase, usaria a de Jesus: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.” (Mt 7.12). Assim, percebemos que o evangelho gera em nós vida prática em relação ao próximo!

Tendo dito isso, só posso pedir que você olhe pra Jesus. Nele você vai entender como é andar em amor, porque ele é o amor!

“E, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus.” (Ef 3.17-19)

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