domingo, 22 de janeiro de 2017

O Cristão e as Leis do País

A relação do cristão com as leis do seu país deve ser extremamente sensata. É preciso entender que temos nossa parcela de responsabilidade em segui-la, mas não somos escravos da mesma.

Ora, a lei de Moisés é uma lei superior, sendo Palavra do próprio Deus, mas nós não estamos mais debaixo dela (leia sobre isso aqui), quanto menos seríamos escravos de leis de homens?

Para entendermos melhor nosso papel em face das leis do Estado, devemos ler o texto de Romanos 13:

“1 Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. 2 De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. 3 Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela, 4 visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal. 5 É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. 6 Por esse motivo, também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo, constantemente, a este serviço. 7 Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.” (Romanos 13.1-7).

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Doutrina da Concessão


Para compreendermos melhor a nossa liberdade em Jesus, precisamos entender uma doutrina que é muito pouco explorada pela maioria dos pastores. Trata-se da Doutrina da Concessão.  Essa doutrina é pouco explorada por ser complexa, e para ser discernida de maneira saudável precisa ser ensinada com bastante cuidado. Ela não é invenção de homens, foi apresentada pelo próprio Senhor Jesus Cristo e, portanto, faz parte do Evangelho, devendo ser ensinada tanto quanto qualquer outra doutrina existente.

A Escritura está repleta dos princípios eternos de Deus, os quais fazem parte da própria essência divina, que também denominamos de atributos da divindade. Desses princípios, no decorrer da história humana, se ramificaram os mandamentos que foram aplicados circunstancialmente em cada ponto da história, conforme o contexto requeria.

Alguns mandamentos, por terem cumprido a determinação da sua circunstância, caíram em caducidade, mas os princípios que os geraram mantiveram-se. Outros mandamentos se mantêm até hoje porque há circunstâncias e contextos que sempre vão existir em qualquer tempo e em qualquer cultura. Então, estes últimos se mantiveram atuantes não pela força da Lei de Moisés, que foi aniquilada na cruz, mas pela força dos atributos eternos do Pai.

Até aqui, na história da Igreja  ainda que a duras penas –, alguns teólogos têm aceitado essas relativizações dos mandamentos que tenho explicado em outras postagens desse Blog. Porém, agora teremos que subir um degrau para entendermos a Doutrina da Concessão. Ela é polêmica justamente porque não só relativiza os mandamentos, mas também os princípios.

Uma concessão é uma liberdade dada para se quebrar uma regra em situações extremamente específicas em que o objetivo ideal não poderá ser alcançado, por isso busca-se um mal menor. A concessão é um desvio da norma e, portanto, deve ser tratada como uma exceção e não como regra. Logo, entendido que é uma exceção ao padrão, deve ser tratado com a mesma peculiaridade que ela traz. Ou seja, nessas situações de concessão, cada caso é um caso e não há uma receita de bolo para tratar essas questões. Portanto, devemos entender o conceito desse ensino para que saibamos aplicar com sabedoria em qualquer contexto que apareça.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Carta Aberta - Aborto

[Segue abaixo um e-mail que escrevi aos parlamentares representantes do meu estado no congresso]

Meu nome é Thiago, 25 anos, natural de Fortaleza-CE, venho por meio deste tratar sobre um tema que tem se mostrado muito efervescente atualmente – o aborto.

Tenho estudado de forma muito profunda o assunto e gostaria de solicitar que vossa excelência analisasse com apreço o meu ponto de vista que será apresentado a seguir.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Disciplina na Igreja

O que me moveu a escrever esse texto foi a quantidade de casos de autoritarismo que presenciei na liderança de algumas igrejas. Pessoas são constrangidas a todo tipo de disciplina e exposição imposta por pastores que pouco sabem como tratar alguém de forma coerente com o Evangelho.

Jesus deixou os passos em Mateus 18 sobre como tratar um irmão que cometeu pecado.

“Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça.  E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano.” (Mt 18.15-17)

1º - DANO AO PRÓXIMO

A característica do pecado que precisa ser tratado por outros é aquele que causa dano direto a outrem: “Se teu irmão pecar contra ti...”.

Temos um exemplo claro desse tipo de pecado em 1 Coríntios 5, onde havia alguém que estava possuindo a mulher do próprio pai. O pai era o ofendido e o filho era o ofensor. Também em 1 Coríntios 6 Paulo cita um caso de demandas (não especificadas) entre irmãos, onde o caso não poderia ser julgado em tribunal de incrédulos, mas perante a igreja. Nesses casos, onde há dano ao próximo, é necessário a igreja intervir.

domingo, 10 de julho de 2016

A Política Revela Corações

Os últimos acontecimentos políticos no Brasil têm servido para diversas coisas, mas sobretudo tem servido para revelar o que se passa no coração de pessoas que se dizem cristãs. Por isso resolvi escrever abaixo algumas dessas visões políticas sendo contrastadas com o Evangelho:

Apoiam a pena de morte mesmo sabendo que Jesus, tendo tido a oportunidade de condenar a mulher adúltera ao apedrejamento, preferiu agir com misericórdia. Se eles defendessem o direito a legítima defesa para que as pessoas pudessem defender sua família utilizando até mesmo armas de fogo, seria razoável. Mas defender a ideia de matar alguém que já está detido não combina com o ensino do Evangelho.

Apoiam a castração química que, à semelhança da ideia anterior, é uma decisão que não tem volta. Com esse tipo de pensamento voltamos à idade média onde os ladrões tinham a mão amputada ao cometerem delitos. Para mim, qualquer delito, por mais grave que seja, deve ser combatido com a exclusão da pessoa da sociedade até que essa tenha condições de retornar ao convívio comum. Para isso é necessário um contínuo acompanhamento psicológico, além de estímulos educacionais – há prisões onde a pena é diminuída para cada livro que o detento lê. Vez ou outra vemos casos em que alguns deles conseguiram concluir o bacharelado e voltaram ao convívio comum. Meu desejo é que isso deixe de ser exceção e vire regra. Essa tarefa é complicadíssima para o Estado. Afinal, é mais fácil propor pena de morte, castração química, tortura, e etc.

Meu pensamento no Evangelho é a recuperação do indivíduo e não a ideia do olho por olho e dente por dente. Jesus veio para que todos tenham vida, e a tenham em abundância. Portanto, não é porque uma vida foi ceifada que devemos ceifar outra. Isso não é querer “defender bandido”. Se o bandido continuar bandido e não se recuperar, ele deve ficar isolado da sociedade para sempre na cadeia.

O Evangelho diz que devemos acolher o estrangeiro e ajudar o necessitado. Os cristãos são contra o acolhimento dos siro-libaneses.

Jesus deu liberdade ao jovem rico para seguir seus mandamentos ou não (cf. Mt 19). No entanto, os cristãos querem obrigar toda a sociedade a seguir seus princípios através da força do Estado. Homossexuais devem ser heterossexuais; os que usam drogas não podem usar (leia mais sobre Descriminalização das Drogas), etc.

Porém, a decisão individual de cada pessoa deve ser respeitada, desde que isso não afete diretamente o próximo.

Conforme a lógica de Jesus, o jovem rico poderia usufruir da sua riqueza caso não quisesse segui-lo, pois o dinheiro era dele e isso não afetaria ninguém. Da mesma forma, eu penso que o Estado deve coibir apenas aquilo que faz mal aos outros – quer fumar? Vai para um fumódromo ou faça isso em casa. Quer ter relações com alguém consciente e do mesmo sexo? Cada um tem essa liberdade. Decisões puramente individuais que não afetam terceiros não devem ser interferidas pelo Estado.

A ideia de justiça meritocrática também é amplamente distorcida. Para alguns, a criança que não tem pai e/ou mãe e tem que trabalhar o dia todo para sustentar os irmãos tem a mesma chance de acessar as univerdades e os concursos públicos que crianças que passam o dia estudando nas melhores escolas da cidade. Ser contra a ideia das cotas é ser contra a justiça.

Um dos poucos pensamentos coerentes que se pode aproveitar é o fato de serem contra o aborto. Nesse caso a decisão individual da mulher afeta terceiros (no caso a criança) e, portanto, deve ser rigorosamente fiscalizada pelo Estado. Para mim, um aborto deve ser tratado com tanto rigor quanto um crime de assassinato. Eu sei que existem estudos que dizem que não há vida no feto nas primeiras três semanas após a fecundação, pois o cortéx cerebral ainda não começou a se formar, mas essa ideia ainda é amplamente contestada. A vida humana é coisa séria e para alguém dizer que não há vida nesse período inicial, este precisa provar indubitavelmente sua tese.

A ação do Estado para ajudar as mulheres mais pobres deve ser a implantação de orfanatos e a ampliação de programas sociais. A saída nunca será legalizar um crime. Obviamente excetuam-se situações onde a vida da mãe corre riscos ou há má formação no feto (acefalia e semelhantes).

São muitos temas que poderiam ser tratados à luz do Evangelho, mas esses ultimamente têm sido tratados com maior avidez e tenho ficado perplexo com o posicionamento de alguns cristãos. Tem algum importante que esqueci de comentar? Escreve abaixo nos comentários do Blog!

Não me rotulo como sendo de direita ou esquerda. Afinal, pode-se perceber no que escrevi acima que eu retenho o que é bom dos dois lados. Aliás, o que eu escrevi acima não foi tirado de nenhum filósofo-político. Tudo isso eu vejo em Jesus. Fiz apenas aplicações de princípios do Evangelho na vida comum.


Essa é minha oração: que seu posicionamento político seja ser de Jesus, o resto é ideologia humana.