segunda-feira, 11 de abril de 2016

Deus é de Direita ou de Esquerda?

No meio cristão tem-se levantado uma grande discussão acerca de qual a posição política agrada mais a Deus. Uns dizem que crentes devem ser de direita, outros acreditam inadmissivelmente num governo esquerdista.

Ambos os lados estão errados! Deus não se limita a essas ideologias humanas de governo. Deus não está interessado em governos humanos, e sim no crescimento do seu Reino. Certa vez perguntaram a Jesus sobre coisas legais: “Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança.”; Jesus responde sem titubear: “Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?” (cf. Lc 12.14). Logo após Ele não ordena a partilha – pois isso cabe ao Estado – mas ensina os princípios do Evangelho contra a avareza para que eles possam agir conforme a consciência.

Por isso eu digo que o governo não deve ser adepto de nenhuma religião. Sou contra regimes teocráticos. Em minha opinião o estado deve ser laico. Isso porque todo indivíduo deve seguir a fé que desejar de forma livre, sem intervenção do Estado.

Os crentes que defendem que o Brasil deve ser um país apoiador da Bíblia precisam lembrar que é baseado nesse pensamento ditatorial-teocrático que o Estado Islâmico mata nossos irmãos no oriente. E foi baseado nesse pensamento que João Calvino matou pessoas em Genebra.

Jesus nunca tentou se unir à Política para tentar implantar seu Reino, pois seu Reino não é deste mundo. Ele nunca buscou Pilatos, Herodes, ou César para firmar acordos com os quais forçasse o povo por meio de Leis a seguirem os princípios do Evangelho. Quem quisesse seguir o Evangelho deveria seguir de livre e espontânea vontade, quem não quisesse, era livre para assim escolher.

O que quero dizer com isso é que o governo não deve incentivar as pessoas a seguirem, por exemplo, os princípios da família tradicional. O que ele deve é garantir que todos tenham direito de escolher qual modelo devem seguir sem sofrerem nenhum tipo de preconceito – assim uns, pela fé, seguirão um modelo, e outros seguirão o que quiserem.

O governo deve proteger os que sofrem injustiças. Assim, deve punir o ladrão, o estuprador, o cara que dirige bêbado, etc. Ele, sendo mais forte que o indivíduo, deve garantir leis justas que punam o infrator e proteja a vítima.

O governo deve proteger os desfavorecidos. Não há como negar que o preconceito existe e que aquele garoto do sinal nunca terá as mesmas chances de se dar bem na vida quanto um garoto que nasceu em berço de ouro. Daí deve-se existir programas sociais como as cotas para corrigir essa curva.

O governo deve ser forte na economia para garantir emprego e renda para todos os que se esforçam no mercado de trabalho. Devem existir ricos que ficaram ricos porque mereceram e devem existir pobres que ficaram pobres porque foram negligentes – desde que ambos tenham tido as mesmas condições dadas pelo Estado para batalhar.

Eu poderia continuar e dar uma lista enorme de tudo o que o governo deve fazer. Mas, nos exemplos anteriores já pode ser percebido o que quero dizer. Princípios básicos de justiça e respeito em relação ao próximo, liberdade de expressão, auxílios e incentivos ao povo em suas necessidades econômicas e físicas, correções de curvas sociais, e sempre a busca por igualdade de oportunidades deixando a cargo de cada um escolher lutar para vencer na vida ou não.

Isso que descrevi se assemelha mais com direita ou esquerda? – Ora, acho que tem o melhor dos dois lados. Quando vou votar procuro alguém que tenha pelo menos princípios próximos aos que foram citados.

O que não admito são regimes ditatoriais (de direita ou esquerda) que minam os direitos basilares de qualquer indivíduo. Isso não dá!

segunda-feira, 4 de abril de 2016

A Simplicidade do Evangelho

O que mais se escuta hoje em dia é que a igreja precisa passar por uma nova reforma, visto que o movimento evangélico tem se distanciado e muito da simplicidade do Evangelho. No entanto, eu não concordo com isso. Por mais que a reforma de Lutero tenha tido bons resultados iniciais, em menos de 500 anos o movimento apodreceu de forma exorbitante.

O problema é que Lutero reformou a igreja apenas de forma doutrinária, mas muitos dos ritos e das institucionalidades continuaram. Não adianta reformar o que começou errado em sua raiz.

Ora, a igreja católica iniciou-se na forma de instituição depois dos anos 300 e deixou de ser a igreja simples do livro de Atos. Criaram o Clero, a supremacia da igreja-instituição, envolveram a igreja com política, a igreja passou a ficar encharcada com doutrinas e tradições humanas, ritos e misticismos que só se viam em meios pagãos.

Até que Lutero instituiu a reforma, mas o que ele fez foi só remendo de pano novo em veste velha. Em pouco tempo todos os erros contidos na igreja católica passaram a existir na igreja evangélica. As indulgências viraram dízimos e trízimos, a doutrina de que fora da igreja não há salvação continua de forma tácita na igreja evangélica, o movimento evangélico invadiu o parlamento e está totalmente envolvido com política, seus cultos estão repletos de tradições humanas e misticismos, sem falar no retorno às tradições judaicas e à lei de Moisés. Eu não vejo que um novo "remendo" possa curar isso. Minha visão é começar do zero, conforme Jesus fez.

Quando Ele veio estabelecer a nova aliança no seu sangue, não o fez a partir da religião farisaica. Ele não tentou reformá-la, pois sabia que não daria certo. Ele simplesmente saía e pregava a simplicidade do evangelho pelas ruas, praças, praias, e quando entrava no templo geralmente era contraditado pela religião instituída.

No começo o movimento cristão era apenas o Caminho, onde as pessoas se reuniam no primeiro dia da semana em casas para se edificarem mutuamente através da Palavra e se alegrarem com louvores cantados entre os irmãos. Nesse Caminho caminhavam em fé, vivendo em amor. Era essa a simplicidade.

Os próprios pastores evitavam viver uma vida clerical e tinham trabalhos comuns durante a semana como qualquer pessoa normal. O próprio apóstolo Paulo trabalhava como fazedor de tendas para não ser pesado à congregação. Vejamos o que ele disse já no final do seu ministério: “De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem vestes; vós mesmos sabeis que estas mãos serviram para o que me era necessário a mim e aos que estavam comigo.” (Atos 20.33,34). Esse padrão é bom de ser seguido se o pastor tiver homens experientes que o ajudem na liderança da igreja. Caso seja pesado de mais pode-se requerer um salário, não há pecado nisso. Porém, em vista dos crescentes escândalos de corrupção nas igrejas, minha recomendação é que uma igreja tenha vários líderes que possam conseguir revezar na ministração da Palavra para que em paralelo todos os líderes possam ter seus próprios empregos comuns.

Naquela época também não era necessário a criação de impérios televisivos para que a mensagem convertesse, pois quando se seguia a simplicidade que o Evangelho propõe “acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos.” (Atos 2.47). Ao ponto de a igreja em pouco tempo conter cinco mil homens, afora mulheres e crianças. “Muitos, porém, dos que ouviram a palavra a aceitaram, subindo o número de homens a quase cinco mil.” (Atos 4.4).

Embora a igreja estivesse com grande número de pessoas, o povo vivia numa proximidade de amor e comunhão jamais vistos. “partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo.” (Atos 2.46,47). Para que essa proximidade ocorresse não eram necessários vários eventos especiais, nem cruzadas evangelísticas, mas sobressaia mais uma vez a simplicidade de viver o Evangelho entre os irmãos.

Eu sei que dificilmente alguém vai conseguir encontrar um lugar para se congregar nesses moldes, seja no meio evangélico ou católico. Mas eu também não aconselho que por conta disso alguém se torne um desigrejado.

Eu mesmo conheço algumas poucas boas igrejas evangélicas em que confio recomendar, mas também conheço singelos grupos que se reúnem em garagens e que nem por isso deixam de ser igreja. Aliás, os considero muito mais igreja do que as igrejas que existem por aí.

Não precisamos de uma nova reforma, precisamos tão somente internalizar a simplicidade do Evangelho em nós. Caso contrário, continuaremos tendo muitas atas, mas poucos atos.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Postura na Internet

Em meio a tantos acontecimentos políticos tenho visto muitos irmãos tomando partido e entrando em conflitos públicos na internet, por isso resolvi escrever esse artigo. Ele será focado em situações práticas do Facebook, mas pode ser aplicado a qualquer mídia social.

A postura do povo de Deus no mundo virtual deve ser semelhante a postura que deve ser seguida no mundo real. Devemos ser de Deus em qualquer ambiente.

Por isso digo que se você tiver alguma coisa contra teu irmão, vai ter com ele em particular, conforme os passos de Mateus 18. Se você observar no mural dele algum pensamento em que você acha que ele esteja equivocado, vai ter com ele no Inbox e tente demovê-lo daquele pensamento. Se você quer se expressar de forma contrária, use seu próprio mural ao invés de ir ao mural dele escrever algo que você sabe que gerará confusão.

Só em haver demandas entre nós já é completa derrota para o povo de Deus, mas fazer isso perante incrédulos só agravará a nossa culpa!

Quando, porém, alguém vem em minha publicação e exterioriza uma opinião contrária eu me sinto no dever de respondê-lo na própria publicação. Jesus, ao realizar uma cura pública em uma sinagoga, foi repreendido publicamente: “O chefe da sinagoga, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que se deve trabalhar; vinde, pois, nesses dias para serdes curados e não no sábado.” (Lc 13.14).

A resposta de Jesus não foi particular, mas instantânea, para que ele não saísse aos olhos da multidão como o errado da situação: “Disse-lhe, porém, o Senhor: Hipócritas, cada um de vós não desprende da manjedoura, no sábado, o seu boi ou o seu jumento, para levá-lo a beber? Por que motivo não se devia livrar deste cativeiro, em dia de sábado, esta filha de Abraão, a quem Satanás trazia presa há dezoito anos? Tendo ele dito estas palavras, todos os seus adversários se envergonharam.” (Lc 13.15-17).

Existem poucas situações em que deve partir de você o ir à publicação de alguém para contrariá-la, mas elas devem ser mencionadas.

Quando um líder religioso publicar algo que fere diretamente a obra de Cristo, essa pessoa deve ser contrariada em público.

Pelo fato dele ser um líder muitas pessoas darão crédito ao que foi falado, e se deixarão levar por um erro grave – a obra de Cristo é tudo para nós!

Paulo deu exemplo ao resistir a Pedro publicamente quando ele estava levando o povo de volta aos costumes judaicos, confundindo assim a mente daqueles que haviam entendido a mensagem da Cruz: “Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas [Pedro], na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gl 2.14).

Eu mesmo já me senti obrigado a me levantar numa reunião para contrariar alguém que estava pregando uma reconstrução da Lei de Moisés – aquela que Jesus destruiu na forma de ordenanças, cumprindo-a em nosso lugar por meio da Cruz (cf. Ef 2.15 e leia "Afinal, por que a lei foi dada?" e "Usos e Costumes").

Há ainda casos mais graves que o anterior que também devem ser combatidos. O caso dos que deliberadamente usam do Evangelho de forma hipócrita para tirar vantagens próprias. Estou falando dos vendilhões do evangelho, os salafrários que fazem comercio da fé. Esses foram combatidos com uma veemência tão grande, ao ponto de Jesus derrubar mesas, cadeiras e dar chicotadas nestes que comercializavam no templo.

Em minha opinião esses são os dois casos que merecem uma resposta pública e imediata, seja no Facebook ou onde quer que seja.

Quanto ao mais, eu tenho buscado seguir a paz com todos, conforme o que sugeri no começo desse texto.

No passado já me envolvi em muitas discussões desnecessárias no Facebook que para nada aproveitaram, a não ser para a subversão dos ouvintes e para inflamação do próprio ego. Pode ter certeza, isso é só vaidade e promove o desserviço ao Evangelho.

Hoje quando quero expressar opiniões políticas ou doutrinárias uso meu próprio mural. Quando vejo pelas postagens que alguém está indo por um caminho perigoso eu chamo no Inbox e converso, já fiz isso inclusive com pastores amados – e é incrível como tenho resultados mais satisfatórios do que se tivesse feito aquilo em público!

Fazendo assim, “Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão” – diria Jesus.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Endeusando Pregadores

“O conselho que Aitofel dava, naqueles dias, era como resposta de Deus a uma consulta; tal era o conselho de Aitofel, tanto para Davi como para Absalão.” (2 Samuel 16.23)

Esses dias estava lendo a rebelião de Absalão contra o rei Davi, seu próprio pai, e esse verso me chamou atenção como nunca havia chamado antes. Fiquei refletindo o quão perigoso é alguém achar que existem tais pessoas que, qualquer pronunciamento, qualquer opinião, qualquer interpretação feita é verdade como se fosse palavra de Deus.

Existem pregadores que têm uma capacidade argumentativa tão grande, uma retórica tão aguçada, um nível filosófico tão elevado, que por assim serem são tidos por detentores da verdade divina. E todo o povo passa a os divinizar e a segui-los cegamente.

Muitos desses pregadores são até bem intencionados e não querem assumir o papel de deuses na vida das pessoas. Porém, as pessoas os têm como tal.

O texto diz que o conselho de Aitofel era tido como palavra de Deus por Davi e por Absalão, e não pelo próprio Aitofel. Assim, existem pregadores que se endeusam, e existem pregadores que são endeusados pelos outros.

A cegueira das pessoas chega a um nível tal, que seguem ensinos totalmente contrários ao que Deus diz, sem ao menos perceberem isso. Nos versículos anteriores Aitofel aconselha Absalão a cometer adultério com as mulheres do próprio pai para que isso fortalecesse seu reino. Assim ele fez, e o conselho pareceu dar resultado, mas isso não significa que foi algo agradável aos olhos de Deus.

Ora, nem eu mesmo quero que alguém me siga cegamente. Se o que eu falar estiver concorde com a verdade em Jesus, a palavra deve ser acolhida, mas não por ser propriamente minha, antes por estar de acordo com o evangelho da verdade.

É por isso que as pessoas precisam ter um mínimo de conhecimento do evangelho, para terem um parâmetro de comparação e assim não se deixarem levar por ensinos falsos. O que mais alimenta a indústria de falsos mestres é a ignorância do povo em relação a palavra de Deus.

Quando Paulo e Silas chegaram a Bereia e começaram a anunciar a Palavra nas sinagogas dos Judeus, o texto diz que estes “receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.” (Atos 17.11).

Não devemos desprezar quem prega a Palavra, mas devemos simplesmente ter um mínimo de senso crítico para verificar se o que está sendo dito está de acordo com o ensino de Cristo ou não.

Não sou do tipo que diz que só se deve escutar pregadores da religião A, ou doutrinadores da escola B. Ao contrário, defendo que as pessoas devem ter maturidade para receber de tudo, e reter o que é bom (cf. 1 Ts 5.21). Eu mesmo desde novo na fé leio material de todos os tipos de autores, desde católicos como Agostinho de Hipona, chegando aos reformadores, passando pelos puritanos, até aos teólogos da atualidade. Nenhum deles são donos da verdade para mim, não os vejo como Aitoféis. Mas todos têm algo bom para ensinar, e esse “bom” é o que eu busco reter para mim.

Gostaria também de encorajar os pregadores de boa fé a pregarem apenas Jesus, conforme Paulo ensinou que se fizesse: “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.” (1 Co 2.1,2).

Já ouvi pregações onde os pregadores davam aula de história, política, palestras de autoajuda, adestramento nas dogmatizações da igreja, enfim, falavam de tudo, menos de Cristo e seu ensino. Com isso nem me refiro aos malucos que fazem as pessoas pularem, caírem, deitarem e rolarem por meio de indução psíquica, pois para mim eles nem podem ser chamados de pregadores. Estou falando de gente boa de Deus, que querem ser fiéis no ensino, mas acabaram indo por outras veredas. Esses precisam reencontrar o foco do ensino da Palavra.

Eu, por exemplo, quando prego, tenho como único objetivo construir a mente de Cristo em meus ouvintes. É fazê-los entenderem mais acerca da obra de Cristo no que se refere às maiores subjetividades da salvação, para que possam descansar na graça e no amor de Deus. E fazê-los entender o evangelho na forma prática, para que saibam caminhar de forma saudável nessa vida, conforme Jesus caminhou.

Meu ensino é essa simplicidade, e quem já me ouviu sabe que assim é. Nunca vou ser tido como um grande teólogo, nem vou escalar o topo dos ministérios eclesiásticos nas maiores igrejas e nos maiores seminários do Brasil. Isso sinceramente não me atrai. Na grande maioria desses lugares só tem gente ensinando o que as pessoas nem querem nem precisam ouvir.

Em suma, devemos saber que não existem pastores ou pregadores perfeitos. Portanto, olhemos para o único Pastor das nossas almas, aprendamos dele, que é manso e humilde de coração. Aos demais, os tenhamos com todo respeito, mas não o coloquemos como Aitoféis em nossas vidas.


“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11.36)

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Descriminalização das Drogas

Em minha opinião o dever do Estado é o de regular as ações humanas em relação ao próximo. Isto é, se alguém bate em seu carro, o Estado tem o dever de obrigar o indivíduo causador do dano a lhe ressarcir. Se o sujeito não paga a pensão alimentícia, ele deve dar conta disso ao Estado.

O governo não deve se preocupar em regular o que um indivíduo consciente faz com o seu próprio corpo. Se alguém quiser fumar cigarro até morrer de câncer no pulmão, o que o Estado tem a ver com isso?

Na própria Lei de Moisés estava escrito: “não matarás”, porém não se encontra nenhum mandamento de “não cometerás suicídio”. Cada um tem o direito soberano de fazer o que desejar a si – desde que isso não prejudique o próximo.

Na questão das drogas o que deve ser feito é a criação de políticas que restrinjam o uso de alucinógenos em locais públicos, para preservar a integridade das pessoas que estão ao redor. Se alguém tomar maconha e sair por aí, deve ser penalizado tanto quanto alguém que se embriaga e sai por aí dirigindo – ainda que não cause acidente deve haver a penalização, posto ser um risco em potencial. Quem quer tomar droga, que tome em propriedade privada e por lá fique até passar o efeito do alucinógeno.

Além disso, deve haver orientação às pessoas para que saibam os riscos daquilo que estão inserindo no próprio organismo – de forma semelhante aos avisos postos em carteiras de cigarro.

Enquanto o país não tiver condições de realizar esse tipo de fiscalização e orientação, a droga deve continuar proibida. Eu mesmo já fui assaltado por pessoas totalmente drogadas que poderiam ter ceifado minha vida. Mas, por outro lado, eu sei que existem pessoas em bairros nobres que usam maconha antes de dormir para reduzir a ansiedade. Como sabemos que existem as duas alas, a droga deve continuar proibida até que possamos amadurecer a ideia e criar políticas públicas sobre o assunto em cada setor da sociedade.

No entanto, o que eu acima disse, eu disse à sociedade. É óbvio que Deus não quer isso para o seu povo. Para Ele, todo e qualquer vício é pecado, pois escraviza a alma. Deus quer que sejamos livres de tudo para que possamos segui-lo completamente, sem estarmos presos às coisas desse mundo.

Quem é viciado em televisão, internet, esportes, e jogos, não é menos escravo espiritualmente do que aquele que é viciado em drogas. As únicas diferenças são as consequências à saúde e o impacto social, que é maior sobre o usuário de drogas. Mas, diante de Deus, todos os vícios atrapalham a comunhão com Ele.

Eu, embora não use drogas, tenho tendências a vários vícios socialmente “normais”, mas que eu sei que podem atrapalhar minha caminhada com Deus. Então, o padrão que eu uso é evitar totalmente os vícios que podem destruir meu corpo e, como aconselhou Paulo, usar das demais coisas com espírito de moderação (cf.Fp 4.5; 1Tm 1.7), sem se deixar dominar por nenhuma delas (cf. 1 Co 6.12).

Sempre tendo como objetivo buscar melhorar e almejar que os nossos desejos sejam o mesmo de Jesus: “Disse-lhes Jesus: A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.” (João 4.34). Conforme nossa maturidade espiritual vai progredindo, nosso apego a algumas coisas – mesmo que “normais” – vão perdendo o sentido e vai-se dando espaço para a mesma motivação que houve em Cristo, que é ter como combustível de vida fazer a vontade do Pai.
 
Todavia, o povo Evangélico precisa entender que não podem obrigar as pessoas a seguirem seus conceitos de fé por meio da força do Estado. O próprio Senhor Jesus disse que seu reino não era desse mundo. Ele nunca foi tentar convencer Pilatos, Herodes, ou César de impor princípios de fé ao povo. Se os princípios são de fé, devem simplesmente ser praticados pela fé, e não por imposição.

“Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.” (Mt 22.21)