sábado, 10 de janeiro de 2015

Tetelestai

Eu acredito que um dos maiores problemas dos cristãos é não entenderem o significado de tetelestai (“está consumado”, do grego). E quando digo que não entendem, não estou falando de não entenderem o significado etimológico da palavra, porque isso muitos podem até entender. O que a maioria não entende é o significado disso para a vida de todos nós.

Quando Jesus disse “tetelestai”, ele disse que fez tudo o que Deus requeria que o ser humano fizesse para agradar a Deus. TUDO! E isso não se restringe ao cumprimento da Lei mosaica, mas a qualquer tipo de coisa que o ser humano invente de fazer para se chegar ao Pai.  Assim, a única maneira de se chegar a Deus é através da fé em Jesus Cristo.

Quando não entendemos isso, passamos a querer estabelecer justiça própria, e esquecemo-nos da justiça que vem de Deus. Sempre foi assim e sempre será. Desde o primeiro pecado, quando Adão e Eva comeram do fruto proibido, já se tentou fazer a própria expiação, quando eles criaram a própria veste para cobrir a nudez (cf. Gn 3.7). Logo depois Caim, que quis fazer o sacrifício à sua maneira, e não o proveniente da fé, conforme seu irmão Abel (cf. Gn 4). Essa é a falsa religião – a tentativa de agradar a Deus por produções próprias – que desde o começo da humanidade existe sobre a Terra, e todos os homens são tentados a segui-la. A verdadeira religião – que significa religação – só pode ser feita por meio de Cristo, onde a nossa fé nele nos é imputada como justiça.

Mesmo sendo isso básico, a maioria das igrejas da atualidade não entendem esse ponto, e acabam ensinando seus membros a quererem agradar a Deus por fazerem tarefas religiosas. Algumas dizem que eles devem se flagelar, se chicotear, outras dizem que fazer boas obras aproxima mais do Pai, outras recomendam que se guarde a Lei mosaica, outras dizem que o comportamento moral deve ser irrepreensível, outras afirmam que a frequência no templo tornará a pessoa mais espiritual, depois afirmam que os mosteiros, os montes e seja lá o que for lhe livrará “mais” do pecado, e por aí vai... Chega a ser quase paganismo! Se ao menos assumissem isso – como fazem algumas igrejas que guardam a Lei como complementação do sacrifício de Cristo, ou que incentivam as boas obras com esse mesmo intuito – seria melhor, mas vivem de maneira cega uma meia-graça – que no fundo é apenas desgraça – sem perceberem isso. Por muito menos Paulo exortou a igreja dos Gálatas, e por menos ainda exortou a Pedro publicamente!

O que precisa ser entendido é que “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” já tirou de fato o pecado daqueles que creem, e isso é óbvio, mas muitos não veem!

Assim, os acusadores continuam dizendo que há pecado, mas Deus não vê pecado nenhum, pois foi de todo tirado. Então o acusador diz: “olhe Senhor, os crentes estão pecando agora mesmo”, mas Deus responde: “eu não vejo pecado algum, vejo apenas o sangue do meu Filho!”.

Portanto, sabendo que o pecado foi de todo aniquilado por Cristo na vida daqueles que creem, deixemos de paranoias e julgamentos sobre o que é ou não é pecado. Que mergulhemos de cabeça no amor de Deus, e no amor ao próximo, pois foi isso que Jesus nos deixou, e disso dependem todas as coisas. Pegue os evangelhos e leia sobre Jesus, busque também no restante da Escritura o que dele se fala, com o fim de se tornar mais parecido com ele. Sabendo que nem mesmo isso é com a finalidade de agradar “mais” a Deus, mas é apenas a consequência natural da mudança de vida proporcionada pela conversão.


“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5.1)

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